Daniel é sócio e Diretor de Planejamento da Alma do Negócio.Com.
Com mais de 15 anos de mercado, atuou em diferentes frentes de negócios, sempre interferindo na construção e consolidação de grandes marcas. Passou pelas agências Z. Publicidade, Opus Múltipla, Next Direct, além dos grupos Ogilvy e Propeg, atendendo clientes como: HSBC, FIAT, Extra Hipermercados, Ford, Votorantim, Electrolux, Tigre, GVT, FGV, Liquigás, entre outros.
Medo da crise? Ou crise de medo?
Quando grandes ou pequenas empresas são obrigadas a fazerem ajustes mais incisivos, por conta de uma crise anunciada, duas coisas acontecem: todos os funcionários são acometidos por um mau presságio; quase todos ficam a procurar um bote de salvação. Por fim, o medo da crise vira crise de medo. Imagine um navio prestes a afundar, que precisa aliviar o peso para que não se perca tudo de uma vez. Imagine, ainda, o que faria nesse mesmo instante o seu mais talentoso marujo, caso uma fragata segura e seca o convidasse a fazer parte da tripulação? Atualmente, é exatamente assim que a maioria das empresas se encontram. E é justamente nessa hora que elas precisam olhar para dentro do barco, avaliar o estado do casco e, muitas vezes, até mudar o curso da rota. O sentimento de instabilidade, que em um momento como esse atinge a maioria dos colaboradores, independentemente dos cargos que ocupam, vai na contramão das necessidades das empresas que, no fundo, no fundo, precisam mais do que nunca de todos os esforços dos talentos que foram poupados do naufrágio. Endomarketing também é a alma do negócio. Toda empresa sonha em entregar o melhor produto ou serviço, ter seus clientes amplamente satisfeitos e alcançar a melhor rentabilidade. No entanto, isso só será possível se quem realmente precisar cumprir a promessa estiver igualmente comprometido. As empresas precisam entender que o seu principal cliente está do lado de cá do balcão. Um bom exemplo é a rede de fastfood McDonalds. Nenhuma das ações de marketing e comunicação surtiria efeito se, ao chegar ao restaurante, a realidade não fosse nada daquilo que apareceu no comercial de TV: agilidade, eficiência, funcionários bem humorados e dispostos a fazer o cliente satisfeito. Afinal, neste caso, o atendimento faz parte da promessa. Para mudar o cenário e acabar com a “crise de medo”, as empresas precisam investir em comunicação interna de forma profissional. É necessário estabelecer um prévio diagnóstico e atacar os problemas de frente. Os funcionários precisam ser valorizados e preparados para as novas etapas que terão de enfrentar. Além disso, mecanismos de “voz” precisam ser desenvolvidos. Empresas também precisam aprender a ouvir quem está na proa, com o seu uniforme, levantando a sua bandeira, em plena batalha naval.
Clínica de Reabilitação Criativa
Esse negócio de discutir a criatividade tá virando moda. Diante de tanta preocupação, fico imaginando onde isso vai parar. Daqui a pouco vão criar uma clínica médica, promovendo a reabilitação criativa. Acho até que isso vai dar mais dinheiro que propaganda.
Imagine um lugar onde os internos com abstinência ou crise criativa tivessem, como parte do tratamento, o direito de ir ao teatro, visitar exposições de arte, estudar cinema, viajar, descobrir novas culturas e ampliar o repertório além do ipod.
Imagine, ainda, que pudessem ter como exercício diário a prática de questionar, degustando um bom vinho, é claro: como as criaturas consumidoras tem se comportado? E como virar senhor, e não servo, das tradicionais planilhas de mídia?
Durante um bom tempo, os internos não seriam expostos aos clientes. Pelo menos até que suas defesas estivessem fortalecidas.
Pacientes com sinais de recuperação, poderiam criar campanhas baseadas em estratégias inteligentes, com foco e caminhos bem delineados. As verbas de mídia e produção seriam compatíveis com as necessidades, assim como os prazos, mirando a consolidação de conceitos que sobrevivessem ao modismo.
Depois de um tratamento intensivo, descobriríamos que a criatividade não morreu. Nem mesmo adoeceu.
Aos pacientes com alta, ficaria a redescoberta que uma boa dose de planejamento estratégico, aliados a diversão e arte, seria suficiente para recuperar a tão perseguida criatividade.
O Engenheiro que virou suco
Muito embora venha construindo meu histórico profissional no Paraná, nasci e me criei em São Paulo. Lá, lá mesmo onde tudo acontece, na Camundó, travessa da Av. Bandeirantes, bem atrás da conturbada pista de Congonhas.
Como todo garoto de cidade grande, passei a ter que me virar sozinho. Pegar o busão, depois o metrô, e concluir a pernada até as escadarias do prédio da Gazeta rumo ao Objetivo da Paulista, faziam parte do meu dia-a-dia. Vez ou outra sobrava uma grana pra comer um número 5, na primeira loja Mc Donalds implantada no Brasil, e tempo para olhar o que acontecia ao meu redor. Certa vez, em uma dessas fugas escolares, passei em frente a uma lanchonete cujo nome era: O engenheiro que virou suco. Minha irmã, dois anos mais velha e algumas fugas a mais acumuladas, fez o comentário: e o diploma está pendurado na parede, bem atrás do caixa.
